terça-feira, 25 de janeiro de 2011

De quando quase a deixei partir

Eu fiquei ali parado sem poder fazer nada. Vi sua nuca se afastando, indo embora. Vi seus cabelos indo pra longe. Seus braços, suas pernas, seu corpo. E eu paralisado, não tinha nem um rasgo de voz pra chamá-la de volta e ela se afastava num movimento lento, como se esperasse o chamado que eu não conseguia gritar.
Era um começo de abril. Era uma tarde de sol. Ela se afastava levando flores nas mãos. Levava os seus olhos pra longe. Eu fiquei ali como que a sorrir. Ela ia embora e eu a deixava ir, ainda que não quisesse que ela fosse.
Do outro lado da rua um rapaz fumava seu cigarro. Não prestava atenção em nós. Me senti sozinho e, numa fração de segundos, vi seu sorriso no dia em que nos conhecemos. Vi sua cara de espantada quando lhe roubei o primeiro beijo. Eu era só um garoto aprendendo a gostar. E eu gostava do modo como ela agia. E fomos nos descobrindo. Ela sempre gostando de seus discos voadores e eu me acostumando a amar o mundo que era dela, como se ela mesma tivesse chegado em um desses objetos que brilham no céu.
E agora ela ia embora...
Olhei outra vez para o rapaz fumando do outro lado da rua. Ele estava absorto. Pensava, talvez, na menina que ele amava. O que ele diria a ela se ela estivesse ali com ele? E a fumaça se misturava com o silencio.
“Eu te amo!”
Ela ia embora... parou por um instante, também observando o rapaz com seu silencio e sua fumaça. Seus cabelos escondiam, mas eu pude vê-la sorrir...

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