domingo, 31 de outubro de 2010

Observações

Lá fora estavam todos se divertindo, parecia carnaval. Até choveu papel. E eles dançavam, e cantavam. Alguns se embriagavam. Naquela felicidade passageira, esqueciam-se dos problemas quotidianos.
Da minha triste janela, eu observava todas aquelas cenas e, por alguns instantes, eu quis estar lá também. Mas eu sabia que jamais faria parte daquilo. O meu mundo era outro. Eu não podia fazer nada além de observar.
Fora apenas um desejo passageiro. Baixei os olhos, me repreendendo. Mas continuei ali observando.


Ah, Juca, você às vezes parece tão menino! Tão inocente! Na verdade eu sei que é isso mesmo que você é. Um inevitável sonhador. Só que você, pequeno Juca, não é um Arlequim nascido pra carnavais...

quarta-feira, 27 de outubro de 2010

É de noite

Choro que vem de surpresa, lava um cantinho da alma que a gente nem sabia que tava sujinho. Liberta algo que a gente nem sabe o que é, nem a quanto tempo estava lá.

Foi assim

Eu vi. Teus olhos estavam tristes enquanto teus lábios sorriam.
Eu sei que tu guardas um segredo, meu amor. E tu não falas, finges, teima em esconder a dor.
Sei que és forte, mas não desse jeito que pensas. Pensar as vezes é tão errado...

É assim

Ah, Juquinha, pobre coração. Não crê demais no ser humano, esses seres poucas vezes olham pra ti, quando olham, quase nunca dão importancia.

Pequenos pensamentos de um coração

Tava olhando a rua, da minha janela. Poucas pessoas passam por aqui.
Fiquei esperando. Com a sensação de ser sempre o ultimo segundo.
Tudo continuou imóvel. Em algum lugar, o amor sorriu!

Não sei por quê

Oi. Acabei de chegar. Abri a porta e a casa estava mais uma vez vazia.
Não sei por quê eu, mas eu ainda me decepciono. Sei que não vou encontrar a casa habitada, sei que não haverá nenhum sorriso, mas por algum motivo eu ainda espero, e me decepciono. Sou assim mesmo, bobo, palhaço, duro, endiabrado, escolha me chamar como quiser, eu pouco me importo. Sei que, apesar de tudo, você não me conhece, quase nunca presta atenção no que eu digo ou faço e depois me culpa de tudo.
Não tô reclamando de nada, por favor, não me entenda mal. Inútil pedir, as pessoas sempre me entendem mal.
Está tudo bem. Vou entrar, tomar uma xicara de chá quente na cozinha. Faz frio lá fora. Choveu.
Apareça quando quiser. Eu gosto de visitas. Nem precisa dizer "oi". Um sorriso, mesmo que seja um disfarce, já me basta.